CNI e federações de indústria apoiam internacionalização de empresas brasileiras

Não se trata de porte, mas de preparo, planejamento e profissionalismo. São esses os principais pré-requisitos para qualquer empresa atuar no comércio exterior. Chegar ao patamar exigido pela competição global exige tempo, dedicação e muito conhecimento por parte das empresas. Apoiá-las nesse processo é o objetivo da Rede Brasileira de Centros Internacionais de Negócios (Rede CIN), coordenada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e presente em todas as federações estaduais de indústria.

“Há oportunidades para empresas de todos os tamanhos. No caso de pequenos negócios, como o próprio empreendedor ocupa vários papeis, ele às vezes não tem condições de avaliar as características do mercado internacional para ponderar os ganhos. Existe desconhecimento em relação às oportunidades. Esse é o trabalho que a Rede CIN faz”, explica a gerente de Serviços de Internacionalização da CNI, Sarah Saldanha.

As opções de atendimento dos CINs vão das básicas, como as capacitações que trazem as primeiras noções de procedimentos e exigências para importar e exportar, até consultorias de alta complexidade, a exemplo do apoio ao investidor estrangeiro (confira infográfico).

Com tamanho alcance, os centros internacionais atendem a empresas com experiências e expectativas diferentes quanto ao comércio exterior. Em 2015, a Rede CIN apoiou mais de 6,6 mil empresas.

Segundo Sarah Saldanha, em 2016, as modalidades mais procuradas têm sido cursos e ações de promoção comercial, que envolvem missões e rodadas de negócios no exterior. No ano passado, esses também foram os serviços mais demandados da Rede CIN, que fez 2,5 mil atendimentos em cursos e capacitações e outros 1,3 mil em promoção comercial.

Esse movimento converge com os números do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Serviços (MDIC). Eles mostram que, apesar de o volume de negócios do Brasil com o exterior ter caído quase 6% em relação ao ano passado, houve um aumento no número de empresas exportadoras.

O crescimento ocorreu sobretudo no grupo daquelas que exportaram até US$ 1 milhão. O número dessas empresas passou de 13.188 em 2015 para 15.124 até julho de 2016, sugerindo maior participação de empreendimentos de menor porte no comércio exterior.

Maturidade

“No comércio exterior, não há espaço para amadores. Do artesão à grande indústria, a operação precisa ser profissional”, afirma Ana Karina Paiva Frota, gerente do Centro de Negócios Internacionais do Ceará (CIN-CE). Para fortalecer as empresas do estado, o CIN comandado por ela fez uma série de mudanças. Passou a definir a estratégia de serviços com base nas demandas da indústria.

“Alinhados à CNI, planejamos as ações em cima de uma pesquisa realizada com 40 sindicatos filiados à Federação de Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) para saber quais são as principais demandas e necessidades do setor quanto ao comércio exterior”, explica Ana Karina.

Nos últimos anos, indústrias do estado expuseram em alguns dos maiores eventos internacionais, como os salões internacionais de Móveis e Calçados de Milão, na Itália; a ExpoComer, no Panamá; a Summer Fancy Food, no Estados Unidos, entre outras.

Segundo ela, além do reposicionamento do CIN, as empresas cearenses têm apostado cada vez mais na inserção internacional como uma ferramenta de competitividade.

“Percebemos uma mudança na maturidade das empresas. Hoje, eles sabem mais o que querem e entendem a importância de ter uma posição global. Isso também é resultado de ir lá fora e conhecer como as coisas funcionam. Muda a mentalidade”, avalia.

É exatamente o que pensa a empresária Rita Cássia Conti, dona da confeccção RC Conti, baseada em Brusque (SC), que expôs no exterior pela primeira vez na última edição da Colombia Moda, realizada no fim de julho deste ano.

A empresária representava uma das 41 empresas que compunham a delegação brasileira liderada pela CNI e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) ao maior evento de moda da Colômbia.

Ela conta que começou a pensar nas possibilidades de vender para fora no ano passado, com a flutuação do câmbio e o agravamento das dificuldades econômicas do país.

“Tivemos todo o apoio do sindicato, da Federação de Indústrias do Estado de Santa Catarina e da CNI para nos prepararmos e termos a atitude correta para apresentar e vender nossa marca e o Brasil no exterior. Foi uma experiência fantástica”, afirma a empresária. A confecção está há 18 anos no mercado, emprega 140 pessoas e produz cerca de 400 mil peças por mês. Rita acredita no potencial da empresa e da indústria brasileira em conquistar espaço em mercados estrangeiros. A confecção está em fase de negociação com compradores colombianos e fez contato com empresas de outros países, como Estados Unidos e República Dominicana.

“Nosso produto é bom, podemos ser competitivos. Mas temos de ir atrás. Em vez de sermos comprados, temos de ir vender a nossa marca. Faz toda a diferença”, arremata.



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