Corte drástico nas importações gera saldo de US$ 4,8 bilhões no comércio com os países árabes

As exportações brasileiras para os países do Oriente Médio cresceram 2,09% no período janeiro-setembro deste ano comparativamente com igual período de 2015 e com a forte queda de 23,18% nas vendas externas desses países o Brasil acumula um superávit de US$ 4,837 bilhões no comércio com o bloco.

O saldo resulta de exportações brasileiras no total de US$ 7,541 bilhões e importações da ordem de US$ 2,703 bilhões. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Em apenas nove meses, o superávit nas trocas comerciais com os países árabes já supera o saldo registrado em todo o ano de 2015, que chegou a US$ 4,644 bilhões. Ano passado, o Brasil exportou para esse conjunto de países mercadorias no valor de US$ 9,957 bilhões e importou US$ 5,313 bilhões em produtos árabes.

Os dados do período janeiro-setembro relativos ao comércio bilateral mostram um crescimento relevante das exportações brasileiras de produtos semimanufaturados e manufaturados. Os primeiros tiveram uma alta de 41% e somaram US$ 1,1 bilhão, correspondentes a 14,7% de todo o volume exportado para os países do Oriente Médio. Enquanto isso, os embarques de bens industrializados geraram uma receita de US$ 1,82 bilhões (alta de 11,7% comparativamente com o ano passado) e foram responsáveis por 24,2% das exportações brasileiras para os países árabes. Finalmente, as exportações de produtos básicos somaram US$ 4,57 bilhões (redução de 7,05%) e responderam por uma expressiva parcela de 60,7% de todo o volume exportado para aqueles países.

A pauta exportadora para o Oriente Médio foi liderada pela carne de frango, no total de US$ 1,75 bilhão e uma participação de 23% no total exportado, apesar de apresentar uma queda de 9,7% comparativamente com o período janeiro-setembro de 2015. Por outro lado, as vendas de milho deram um salto de 60,2% e somaram US$ 775 milhões, equivalentes a 10% das exportações totais para o conjunto de países árabes. Ainda mais relevante foi o aumento (99,5%) nas vendas de açúcar refinado, que tiveram uma participação de 13% nas exportações e atingiram a cifra de US$ 977 milhões. Também cresceram as vendas de soja mesmo triturada (alta de 42,7%), com uma receita de US$ 633 milhões e de carne bovina (aumento de 4,3%), no total de US$ 555 milhões.

Enquanto as exportações brasileiras cresciam, ainda que num modesto patamar de 2,09%, as vendas de produtos árabes ao Brasil despencaram. Os embarques de bens industrializados, responsáveis por 63,2% das vendas ao Brasil, foram os mais afetados pela contração das importações brasileiras e caíram 24,8% para US$ 1,71 bilhão. Ainda mais elevada (25,8%) foi a redução nos embarques de produtos básicos, que somaram US$ 815 milhões, correspondentes a 30,1% das vendas árabes ao Brasil. Nesse cenário negativo, a exceção ficou por conta dos produtos semimanufaturados, que tiveram as exportações aumentadas em 17,2% para US$ 180 milhões.

Em relação aos produtos, à exceção da ureia (alta de 10,5% para US$ 466 milhões), todos os principais produtos exportados pelos países árabes ao Brasil amargaram quedas expressivas nos nove primeiros meses do ano. As vendas de petróleo, principal item da pauta (participação de 28% no total exportado) sofreram uma queda de 26,7% para US$ 757 milhões, as exportações de querosene e aviação foram reduzidas em 20,3% e somaram US$ 303 milhões, e os embarques de gás natural tiveram uma contração de -44,5%, proporcionando uma receita de US$ 196 milhões.



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