Agronegócio brasileiro pode ganhar espaço com EUA fora do Transpacífico

Uma janela de oportunidades para o Brasil. É assim que os especialistas em comércio exterior avaliam a saída dos Estados Unidos do Acordo Transpacífico, o maior acordo comercial já assinado no mundo.

É que sem os vizinhos da América do Norte é difícil que o acordo se mantenha. E sem acordo, os 12 países signatários não terão mais acesso facilitado aos mercados uns dos outros, como impostos menores. O Brasil não fazia parte do tratado e é agora que pode ganhar espaço, traçando novos acordos com esses países, já que quase metade das exportações brasileiras no ano passado saíram do agronegócio.

Para o professor de relações internacionais, José Luiz Pimenta, a oportunidade está no fortalecimento do Mercosul e dos acordos com a União Europeia e países do Sudeste Asiático.

"A região compreendida pelo TPP importava do Brasil cerca de U$$ 50 bilhões de dólares, isso incluindo os Estados Unidos. Se o Brasil firmar acordos comerciais com metade desses países, já será algo bastante expressivo. Então, no curto prazo, é o que podemos dizer. Além disso, é um pouco de especulação excessiva"

Grosso modo, se não ganhar, o Brasil vai deixar de perder. Dados inéditos da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram que entre 2011 e 2014, apenas 4% dos produtos importados pelos países do TPP tinham origem brasileira.

Para a superintendente de relações internacionais da CNA, Lígia Dutra, a exportação de café brasileiro para o México é um exemplo disso. Sem os incentivos tarifários, o produto que antes era comprado do Peru ou do Vietnã, pode sair do Brasil.

'Com a não entrada em vigor do acordo, esses mercados que poderíamos estar perdendo, deixaremos de perder. Abre-se uma oportunidade agora para correr atrás e negociar com esses países que ficaram sem a TPP. A gente já conhece o texto do acordo e temos a oportunidade agora de fazer uma oferta mais certeira pra esses países."

E é justamente o México que pode despontar como um bom parceiro comercial brasileiro.Já há acordos bilaterais entre os dois países, mas não são expressivos. Agora, como explica a economista que coordenou o estudo da CNA, Gabriela Coser, o Brasil pode aproveitar para avançar no mercado de carnes de aves. Isso pq os Estados Unidos, nosso principal concorrente na área, estão fora do jogo.

"O Brasil está negociando a expansão do acordo comercial que tem com o México. A incerteza na relação comercial entre México e Estados Unidos e com outros países que teriam ganho de comércio, é uma oportunidade para aumentarmos nossa exportação de carnes de aves, frango, e tentar buscar uma redução tarifária para entrar nesse mercado com tarifas mais baixas, mais competitivas"

Agora que o Brasil conhece os termos do TPP também surge uma oportunidade na indústria. Já há casos mapeadas em segmentos como o de máquinas e equipamentos, que poderiam ganhar mercado no Canadá. Para o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, Thomaz Zanotto, além dos canadenses, mais uma vez o mercado asiático está no foco. Mas tudo vai depender dos próximos passos do acordo.

'Talvez a gente consiga também algum espaço para a indústria de manufaturados em países como Japão ou em mercados robustos, como Vietnã ou até Austrália. Mas eu digo, tudo isso vai depender do interesse desses países em manterem algum acordo mesmo com a saída dos Estados Unidos."

Conhecer os rumos do acordo, aliás, é a indicação dos especialistas. A superintendente de Relações Internacionais do CNA, Ligia Dutra, a janela de negociação deve durar pouco tempo.

"O importante é o setor privado conversar bastante com o governo agora para sairmos para a negociação. Precisamos identificar quais são os setores prioritários para juntar com outros setores da economia e buscar novos parceiros, ver quem está disposto a fazer novos acordos comerciais"

A tendência é que em um segundo momento os Estados Unidos comecem a buscar novos acordos bilaterais fora dos blocos econômicos. Como o poder de barganha dos norte-americanos é grande, a hora do Brasil negociar é agora.



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