Vencedoras do leilão se dizem otimistas com recuperação da economia brasileira

As concessionárias que arremataram os aeroportos leiloados nesta quinta-feira (16) se disseram satisfeitas com a maneira como o processo foi conduzido e reforçaram expectativas positivas para o país. Os quatro leilões fecharam com um ágio de 94% nos lances mínimos e trouxeram uma arrecadação total 23% acima do que o governo esperava.

Conheça as empresas que ganharam as concessões

“Sabemos que o crescimento vem. Nossa aposta é de longo prazo, vamos estar no Brasil e vamos fazer as coisas bem”, disse o diretor de desenvolvimento de negócios internacionais da Zurich Ariport, Martin Fernandez. O executivo afirmou a jornalistas que, em seu plano de negócios, trabalha com a perspectiva de que a economia brasileira retome já no segundo semestre deste ano.

Segundo ele, as reformas por que o país passa atualmente “são duras, mas precisavam ser feitas”.

A empresa arrematou a concessão de Florianópolis, o menor dos quatro aeroportos disputados, visto com o menos atrativo pelo mercado. “É um patinho pequeno, mas não é um patinho feio. E com nossos investimentos pode se tornar um patinho grande”, brincou o executivo.

Fernandez diz que a empresa está estudando formas de financiar a outorga, mas que não considera as condições do BNDES atrativas. "São condições mais colaterais que a de outros bancos. Mas esperamos que o BNDES reveja isso. Não é possível financiar infraestrutura só com balanço de empresa", disse.

Aletta von Massembach, vice-presidente global de investimentos e gestão da Fraport, que ficou com os aeroportos de Porto Alegre e Fortaleza, classificou o leilão como "competitivo e excitante" e disse que a concessionária vai trabalhar próximo às autoridades brasileiras para "fazer o melhor aeroporto possível para os brasileiros e para o país".

A empresa pagou um prêmio de 852% pela concessão do aeroporto de Porto Alegre, o maior ágio do leilão em relação aos lances mínimos fixados (25% da outorga). Sem dar mais detalhes, Aletta diz que esse investimento será recuperado com "muito, muito trabalho".

O único aeroporto a que a Fraport não concorreu foi o de Salvador. "É uma área com muitos desafios. Olho para o aeroporto e para a área em volta e penso: tenho a solução certa para esse lugar? Talvez não", disse. "Nós analisamos, gastamos muito tempo com isso, queríamos mesmo achar uma solução, mas percebemos que talvez não fôssemos os certos (para assumir a operação)", completou.

Salvador tem um desafio. Para sustentar uma expansão e construção de nova pista de pouso, o aeroporto precisar desapropriar uma área ambiental protegida.

Quem levou a concessão de Salvador foi a francesa Vinci Airport, que disse ter feito uma proposta “certeira”. Ela também ressaltou a “qualidade e o profissionalismo” do processo de concorrência.

A concessionária já opera 35 aeroportos com fluxo anual de mais de 130 milhões de passageiros em todo mundo. Está presente, além da França, no Japão, Portugal, Chile, República Dominicana e Camboja.

"Nós sentimos duas boas razões para vir. A primeira é que a competição seria muito limitada, e nossa aposta foi certeira, e a segunda é que era a hora de investir de no país", disse Benoit Trochu, líder de desenvolvimento de novos negócios da empresa.

O grupo já está presente no Brasil há pouco mais de dois anos por meio do braço de energia - a Vinci Energies, baseada no Rio de Janeiro. A filial opera com as marcas Omexom (que atua na área soluções para geração, transmissão, transformação e distribuição de energia) e Actemium (de soluções para o mercado industrial e de infraestrutura). As empresas atuam nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia e Pernambuco.

"Conhecemos há muito tempo esses mercados e poderemos trazer tráfego adicional para o país. Acreditamos que temos as ferramentas para entregar uma boa performance", disse Trochu a jornalistas.

Sobre o problema ambiental de Salvador, ele diz que a questão foi muito discutida na empresa e que, se as obras precisarem ser feitas, serão dentro de 10 ou 15 anos. "Nós temos tempo para analisar e encontrar uma resposta, não será uma questão de curto prazo".

O executivo disse que a empresa vai optar pelo financiamento proposto pelo BNDES e que bancará o restante do investimento inicial apenas com capital próprio. “As estruturas de financiamento são muito limitadas e tem um mínimo de capital próprio exigido. O projeto não pode ser muito alavancado.”



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