Comércio exterior da China continua a crescer

As importações denominadas em iuane cresceram 44,7% anualmente no mês passado, notavelmente mais alto do que as expectativas do mercado e o crescimento de 25,2% de janeiro, de acordo com a Administração Geral das Alfândegas (AGA).

As exportações cresceram 4,2%, valor mais baixo que os 15,9% registrados em janeiro. O total do comércio exterior atingiu 1,71 trilhão de iuanes (US$ 250 bilhões), um crescimento anual de 21,9%.

Isso significa um defícit comercial mensal de 60,36 bilhões de iuanes, ao contrário de um superávit de mais de 354 bilhões de iuanes em janeiro. No mesmo período do ano passado, a China alcançou um superávit de 180,5 bilhões de iuanes.

Este foi o primeiro défícit da China nos últimos três anos.

Zhuang Rui, professora de economia da Universidade de Comércio e Economia Internacional, atribuiu o número elevado de importações ao aumento nos preços das mercadorias.

"A China tem comprado por anos grande quantidade de mercadorias para impulsionar a sua infraestrutura doméstica, o que, no entanto, manteve-se imperceptível devido aos preços globais baixos," disse ela.

A AGA confirmou os comentários em um comunicado online mostrando aumentos agudos no valor de mercadorias primárias importadas em janeiro e fevereiro.

O preço do carvão importado chegou a mais de duas vezes o preço do ano anterior, e os preços do minério de ferro cresceram 83,7% e o petróleo bruto, 60,5%.

"Fatores como o feriado também contribuíram para o defícit," disse Zhong Yongjun, pesquisador do Centro de Intercâmbio Econômico Internacional da China. "Mas a situação não é sustentável e o impacto na taxa de câmbio de iuane será limitado."

Os exportadores chineses geralmente suspendem ou reduzem a sua produção durante o feriadão do Ano Novo Lunar Chinês que dura uma semana.

Os dados comerciais de fevereiro geralmente mantiveram o ímpeto de crescimento desde o começo do ano. Ambas as exportações e importações se recuperaram significativamente em janeiro de um 2016 medíocre.

Nos primeiros dois meses, as exportações aumentaram 11% em relação ao ano anterior, e as importações subiram 34,2%.

O comércio exterior da China tem registrado um começo bom em 2017, caracterizado pela recuperação dos mercados exteriores, demanda doméstica robusta e perspectiva promissora, disse o diretor da AGA, Yu Guangzhou, à margem da sessão anual da legislatura nacional.

Porém, analistas disseram que ainda era cedo demais para chegar a uma conclusão final otimista já que o crescimento anual robusto foi consequência principalmente de uma baixa base no ano passado.

"Os dados nos primeiros dois meses são afetados por fatores sazonais, e a situação comercial da China será refletida mais claramente nas estatísticas do primeiro trimestre e do primeiro semestre," disse Zhuang, "A China ainda enfrenta circunstâncias comerciais rígidas devido às incertezas globais e à fraca demanda externa."

Também existe uma forte preocupação com o protecionismo comercial crescente em alguns países. Os exportadores chineses sofreram um recorde de 119 investigações de defesa comercial iniciadas por 27 países e regiões no ano passado, um crescimento de 36,8% em relação a 2015.

Plenamente consciente dos riscos, a China prometeu reforçar a sua vantagem comercial, melhorar as políticas comerciais e promover a indústria de processamento na cadeia global de valor.

O relatório de trabalho governamental apresentado pelo primeiro-ministro chinês Li Keqiang no início de março disse que a China garantirá que o comércio exterior continue a gozar das políticas para otimizar as importações e exportações.

"O relatório indicou que as autoridades estão dando mais atenção à qualidade do comércio em vez de quantidade," disse Zhang.

O novo ministro do Comércio da China, Zhong Shan, disse que o modelo de crescimento no comércio exterior do país será ajustado da simples expansão do volume para melhora da estrutura e qualidade, prometendo mais esforços para reforçar o papel da China como um país comercial forte e promover a sua vantagem comercial.

Nos primeiros dois meses, o comércio da China com a União Europeia (UE) saltou 15% na comparação anual. A UE é a maior parceira comercial da China, respondendo por 15% do comércio exterior do país. Ao mesmo tempo, o comércio da China com os EUA, ASEAN e Japão cresceram 18,9%, 24,2% e 20,1%, respectivamente.

As exportações de maquinaria e aparelhos eletrônicos aumentaram nos primeiros dois meses, e as indústrias de trabalho intensivo de tecido e roupas registraram queda nos pedidos.

O índice de exportações avançadas da China continuou a sua tendência de crescimento chegando a 40,2 em fevereiro, mais alto do que os 39 de janeiro.



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