Carlos Tavares: Trump ataca a imprensa e China investe na carne

TRUMP X IMPRENSA

Tornando ainda mais tenso o clima com a imprensa, Trump, em abril, não compareceu à tradicional festa anual da Associação dos Correspondentes Estrangeiros, em Washington. Em 36 anos de história foi a primeira vez que um presidente da República não comparece a essa festa de confraternização do governo, empresários e imprensa. Embora não pudesse evitar a realização na Casa Branca, que pertence ao povo americano e onde o presidente é apenas inquilino temporário. No comício onde se encontrava, na Pensilvânia, Trump criticou duramente a imprensa, acusando o New York Times - o maior jornal do país - e as redes de TV CNN e NBC de “incompetentes e desonestas”. Com centenas de convidados entre empresários, autoridades e convites pagos, essa antiga festa, com o alto valor arrecadado, tornou-se importante fonte de renda de manutenção da Associação.

BRASIL

Lamentavelmente, entre nós, os representantes da imprensa estrangeira – importantes para exportações e investimentos – não recebem a devida assistência do governo e também dos grandes empresários e suas entidades, como nos Estados Unidos. Com exceção apenas da Confederação Nacional do Comércio e do Banco do Brasil, onde se localiza, no Rio, a sede da Associação dos Correspondentes da Imprensa Estrangeira no Brasil. E tem somente três sócios-cooperadores: o Grupo Gerdau e os consulados dos EUA e do Canadá, que mantém contribuição anual de manutenção. Importante para o governo/empresários na divulgação de pauta de entrevistas com autoridades, lançamentos, inaugurações e outros eventos, a ACIE passa por grave dificuldade financeira. Inclusive com pequena dívida de reunião no hotel Cesar Park, herdada pelos novos proprietários, o grupo francês Accor, que poderia perdoa-la.


CARNE

Em março, mesmo após a negativa repercussão da lamentável Operação Carne Fraca, a China permaneceu como principal importador do produto brasileiro. Ao todo foram 124,9 mil toneladas, no valor de US$ 489 milhões, a maior parte entrada por Hong Kong, grande porto chinês ao Sul do país. Atualmente o gigante asiático importa 15% do seu enorme e crescente consumo de carne bovina, que, em 2016, totalizou 8,5 milhões/ton. Em 2020 o consumo ultrapassará 9 milhões/ton e a importação aumentará para 20% desse total. Tratando-se de bom negócio, prioritário e com futuro garantido, as empresas chinesas passaram a se interessar em investir no processamento de carne bovina brasileira. Deveriam tambem aplicar na criação e aumento dos rebanhos



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