Santander compra o rival Banco Popular na Espanha

O Santander, maior banco da Espanha, vai comprar o rival Banco Popular pelo valor nominal de 1 euro após autoridades europeias determinarem que a instituição estava à beira da insolvência.

O Santander pedirá aos investidores cerca de 7 bilhões de euros (US$ 7,9 bilhões) de capital novo para cobrir o custo de reforçar o Popular, que foi afetado por bilhões de euros de empréstimos de propriedades arriscados.

O resgate, que ocorreu após uma declaração do Banco Central Europeu de que o Banco Popular estava a caminho de afundar, marca o primeiro uso de um regime da UE para lidar com bancos em dificuldade adotado após a crise financeira.

À beira da falência

O Popular, o sexto maior banco da Espanha, há muito tem sofrido e repetidamente pediu aos acionistas dinheiro novo. Mas uma aceleração recente nos saques de contas agravou seus problemas de financiamento, provocando sua venda.

O banco continua sofrendo os efeitos dos "ativos tóxicos" - bens imobiliários de particulares ou promotores incapazes de reembolsar os empréstimos - acumulados desde a crise internacional de 2008.

"A deterioração significativa da liquidez do banco nos últimos dias levou a estabelecer que a entidade não conseguiria, em um futuro próximo, pagar suas dívidas ou honrar seus compromissos", explica o BCE em um breve comunicado.

Isto significa que o Banco Popular "operará em condições normais de mercado como membro solvente e com liquidez do grupo Santander com efeito imediato".

O ministro espanhol da Economia, Luis de Guindos, ressaltou que a compra acontecerá "sem o uso de recursos públicos". "A operação acontece sem o uso de recursos públicos e sem que aconteça, portanto, um eventual contágio entre risco soberano e bancário, como ocorreu em épocas passadas", declarou.

Os bens vendidos com perda obrigaram o Banco Popular a fazer uma reserva de 5,7 bilhões de euros em 2016, o que provocou um prejuízo líquido de 3,5 bilhões de euros.

Na semana passada, o Banco Popular perdeu metade de seu valor na Bolsa de Madri. Antes da suspensão da cotação, a ação tinha valor de apenas 32 centavos de euro.



menu
menu